quarta-feira, agosto 29, 2012

Oh…são um grupo de putos. Putos grandiosos!


Seja a tentar organizar um seminário sobre os Objetivos do Milénio ou mesmo um encontro de ONG’s, é esse o sentimento de desconfiança com que somos confrontados – “ Será que um grupo de “putos” sabe no que se está a meter? ” Sabe pois, eles não brincam em serviço!
Se há coisa que este grupo soube fazer desde o início foi escolher os seus combates. Se há algo a que nos propomos a fazer e que duvidam da nossa capacidade, não tem problema, o AHEAD Rumos S. Tomé RESOLVE!
E não foi nada mais que isso….K.O. ao primeiro round! Através dos inúmeros elogios, dos agradecimentos ou simplesmente pela voz da nossa consciência, foi mais um sucesso neste longo e árduo caminho que têm sido estes dois meses. Caminho esse que começa a deixar de ter os nossos olhos postos no horizonte e começam-se a contar o número de pegadas deixadas. O AHEAD Rumos S. Tomé deixa marcas nesta terra!
As conversas sobre as saudades e as marcas deixadas por esta terra, por esta gente, começam a ser um habitué. É inevitável, isto marca! Se a rotinas são boas ou más para a vida de um ser humano!? É mais um tema de debate entre os muitos jantares em família. A certeza é que o silêncio instala-se quando alguém diz: A viagem de Ribeira Afonso as 6h da manhã, a caminho da cidade é uma rotina que vai doer quebrar! Acreditem….só dói a quem vive, e nós vivemos!
As maravilhas desta terra são mais que muitas, isso é já um dado adquirido. E muitas delas não cabem nem em fotografias nem em filmes.
Este fim de semana foi tempo de conhecer uma outra parte da ilha – O Norte. Com o jipe da irmã Angelina emprestado (sim…as irmãs aqui andam bem montadas) a família parte em busca de mais um pedaço do paraíso, até ao momento desconhecido. Mais seco, mais quente, mas igualmente arrebatador. Para-se numa praia para desfrutar de um pouco de sol e parte-se novamente em viagem.
Já tínhamos ouvido falar na lagoa azul – ponto obrigatório de paragem –, mas não há nada como ver, não há nada como viver! É de fazer toda uma coleção de postais do paraíso. Mas será que podia ser melhor? Aqui tudo é possível, tudo pode melhorar, basta uma outra pessoa gritar: “Olhem…Baleias!” Agora sim…estamos cheios. Cheios de coisas boas, cheios de coisas que não se explicam, cheios de coisas que não se escrevem nem se fotografam. Estamos bem!
Estamos bem mas ainda há que conhecer quem nos dará casa para essa noite. Após uma visita dura para os olhos e para a alma, guiada por duas voluntárias de outra associação na roça Diogo Vaz, surge o merecido descanso. A noite é passada numa “luxosa” casa das irmãs em Neves inserida num jardim-de-infância que foi construído em apenas 3 meses (até para o nosso país que, comparado com este, é de tecnologia de ponta). Elas são a prova viva do poder da vontade de um pequeno grupo de pessoas. E elas fazem, indiscutivelmente.
 Mas se tudo pode melhorar, também há que ter cuidado com o contrário. É que não podíamos acabar esta viagem sem um problema no carro. Não é um pneu furado (situação mais que habitual por estas bandas)? Então o que é? Os elvados conhecimentos de mecânica de todos os elementos levam a uma intervenção rápida – telefonar para alguém em Portugal. Ok…o problema é no motor!
Mas se o super-homem aparece a voar, o homem aranha agarrado a uma teia, o tarzan a uma liana e o príncipe encantado num cavalo branco, o nosso salvador vem de mota e chama-se Osvaldo. “Tá mandar fumo?” Sim!, “Branco?” SIM!...já sei qual é o problema! E então?! “Não tem problema…eu resolvo!”
Mais uma vez, o nosso “motorista” salva-nos de uma das boas e, após um banho rápido, retorna-se à cidade, na companhia do Salvador Osvaldo e do “protetor” Leite para um banquete na cidade no festival da Gravana. Banquete de comida e, como não podia deixar de ser….de Kizomba!
Conquista-se a multidão com toda uma festa de nativos brancos, comprovando o elevado nível intelectual da família ao se repetir em alto e bom som no microfone a maior palavra da língua “portuguesa” – anticonstitucionalississimamente (se eles dizem que existe é porque há). Se nós sabemos escolher os nossos combates? Sabemos pois!
Somos um grupo de “putos”, mas que são rijos di doê!
E… se 7 e basta, se em Roma sê romano e em África africano….
….Onde houver o bem a fazer…que se faça!